domingo, 11 de setembro de 2011

Os dez passos da alimentação saudável para crianças brasileiras menores de 2 anos

PASSO 1 - Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimento. O leite materno contém tudo o que a criança necessita até os 6 meses de idade, inclusive água, além de proteger contra infecções. A criança que recebe outros alimentos além do leite materno antes dos seis meses, principalmente através de mamadeira, incluindo água e chás, pode adoecer mais e ficar desnutrida.

PASSO 2 - A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. A partir dos seis meses, o organismo da criança já está preparado para receber alimentos diferentes do leite materno, que são chamados de alimentos complementares. Mesmo recebendo outros alimentos, a criança deve continuar a mamar no peito até os dois anos ou mais, pois o leite materno continua alimentando a criança e protegendo-a contra doenças. Com a introdução da alimentação complementar, é importante que a criança receba água nos intervalos das refeições.

PASSO 3 -A partir dos seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia, se a criança receber leite materno, e cinco vezes ao dia, se estiver desmamada. Se a criança está mamando no peito, três refeições por dia com alimentos adequados são suficientes para garantir uma boa nutrição e crescimento, no primeiro ano de vida. No segundo ano de vida, devem ser acrescentados mais dois lanches, além das três refeições. Se a criança não está mamando no peito, deve receber cinco refeições ao dia com alimentos complementares já a partir do sexto mês. Algumas crianças precisam ser estimuladas a comer (nunca forçadas).

PASSO 4 - A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se  sempre a vontade da criança. Crianças amamentadas no peito em livre demanda desenvolvem muito cedo a capacidade de autocontrole sobre a ingestão de alimentos, aprendendo a distinguir as sensações de saciedade após as refeições e de fome após o jejum (período sem oferta de alimentos). Esquemas rígidos de alimentação interferem nesse processo de auto controle pela criança. Este aprendizado precoce é fundamental na formação das diferenças nos estilos de controle de ingestão de alimentos nos primeiros anos de vida; O tamanho da refeição está relacionado positivamente com os intervalos entre as refeições (grandes refeições estão associadas a longos intervalos e vice-versa). É importante que as mães desenvolvam a sensibilidade para distinguir o desconforto do bebê por fom de outros tipos de desconforto (sono, frio, calor, fraldas molhadas ou sujas, dor, necessidade de carinho), para que elas não insistam em oferecer alimentos à criança quando esta não tem fome. Sugere-se, sem esquema rígido de horário, que, para as crianças em aleitamento materno, sejam oferecidas três refeições complementares, uma no período da manhã, uma no horário do almoço e outra no final da tarde ou no início da noite. Para as crianças já desmamadas, devem ser oferecidas três refeições mais dois lanches, assim distribuídos: no período da manhã (desjejum), meio da manhã (lanche), almoço, meio da tarde (segundo lanche), final da tarde ou início da noite (jantar).

PASSO 5 - A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas /purês) e, gradativamente, aumentar a sua consistência até chegar à alimentação da família. No início da alimentação complementar, os alimentos oferecidos à criança devem ser preparados especialmente para ela, sob a forma de papas/purês de legumes/cereais/frutas. São  os chamados alimentos de transição. A partir dos oito meses, podem ser oferecidos os mesmos alimentos preparados para a família,  desde que amassados, desfiados, picados ou cortados em pedaços pequenos. Sopas e comidas ralas/moles não fornecem energia suficiente para a criança. Deve-se evitar o uso da mamadeira, pois a mesma pode atrapalhar a amamentação e é importante fonte de contaminação e transmissão de doenças. Recomenda-se o uso de copos (copinhos) para oferecer água ou outros líquidos e dar os alimentos semi-sólidos e sólidos com prato e com a colher.

PASSO 6 - Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida. Desde cedo a criança deve acostumar-se a comer alimentos variados. Só uma alimentação variada evita a monotonia da dieta e garante a quantidade de ferro e vitaminas que a criança necessita, mantendo uma boa saúde e crescimento adequados. O ferro dos alimentos é melhor absorvido quando a criança recebe, na mesma refeição, carne e frutas ricas em vitamina C. A formação dos hábitos alimentares é muito importante e começa muito cedo. É comum a criança aceitar novos alimentos apenas após algumas tentativas e não nas primeiras. O que pode parecer rejeição aos novos alimentos é resultado do processo natural da criança em conhecer novos sabores e texturas e da própria evolução da maturação dos reflexos da criança. Os alimentos devem ser oferecidos separadamente, para que a criança aprenda a identificar as suas cores e sabores. Colocar as porções de cada alimento no prato, sem misturá-las.

PASSO 7 - Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições. As crianças devem acostumar-se a comer frutas, verduras e legumes desde cedo, pois esses alimentos são importantes fontes de vitaminas, cálcio, ferro e fibras. Para temperar os alimentos, recomenda-se o uso de cebola, alho, óleo, pouco sal e ervas (salsinha, cebolinha, coentro).

PASSO 8 – Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação. Açúcar, sal e frituras devem ser consumidos com moderação, pois o seu excesso pode trazer problemas de saúde no futuro. O açúcar somente deve ser usado na alimentação da criança após um ano de idade. Esses alimentos não são bons para a nutrição da criança e competem com alimentos mais nutritivos. Deve-se evitar alimentos muito condimentados (pimenta, mostarda, “catchup”, temperos industrializados).

PASSO 9 - Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados. Para uma alimentação saudável, deve-se usar alimentos frescos, maduros e em bom estado de conservação. Os alimentos oferecidos às crianças devem ser preparados pouco antes do consumo; nunca oferecer restos de uma refeição. Para evitar a contaminação dos alimentos e a transmissão de doenças, a pessoa responsável pelo preparo das refeições deve lavar bem as mãos e os alimentos que serão consumidos,  assim como os utensílios onde serão preparados e servidos. Os alimentos devem ser guardados em local fresco e protegidos de insetos e outros animais. Restos de refeições que a criança recusou não devem ser oferecidos novamente.

PASSO 10 - Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua
alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação. As crianças doentes, em geral, têm menos apetite. Por isso, devem ser estimuladas a se alimentar, sem, no entanto, serem forçadas a comer. Para garantir uma melhor nutrição e hidratação da criança doente, aconselha-se oferecer os alimentos de sua preferência, sob a forma que a criança melhor aceite, e aumentar a oferta de líquidos. Para a criança com pouco apetite, oferecer um volume menor de alimentos por refeição e aumentar a freqüência de oferta de refeições ao dia. Para que a criança doente alimente-se melhor, é importante sentar-se ao lado dela na hora da refeição e ser mais flexível com horários e regras. No período de convalescença, o apetite da criança encontra-se aumentado. Por isso, recomenda-se aumentar a oferta de alimentos nesse período, acrescentando pelo menos mais uma refeição nas 24 horas. Enquanto a criança come com sua própria colher, a pessoa responsável pela sua alimentação deve ir oferecendo-lhe alimentos com o uso de outra.
Postagem: Profa. Marianne Marinho

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

DIABETES CRESCE MUNDIALMENTE!

Pesquisa em 200 países indica que a doença virou epidemia global; incidência é maior em nações em desenvolvimento.

Quase 10% de toda a população mundial adulta têm diabete, e a incidência da doença está aumentando rapidamente. Como ocorre nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos, a falta de atividade física e a obesidade da população representam as principais causas do problema também nos países em desenvolvimento, como a Índia e parte da América Latina, do Caribe e do Oriente Médio.

Essa é a conclusão de um estudo publicado no final de semana pela revista médica Lancet, que acompanhou nas últimas três décadas os padrões no desenvolvimento da diabete e os valores médios das leituras do nível sanguíneo de açúcar em cerca de 200 países e regiões.

O resultado da pesquisa traz a previsão de grandes custos e do fardo das complicações físicas nos próximos anos do século, pois a doença aumenta o risco de a pessoa sofrer ataque cardíaco, insuficiência renal, cegueira e certos tipos de infecção.

"O estudo confirma aquilo que muitos suspeitavam: a diabete se tornou uma epidemia global", disse Frank Hu, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, que não participou dos trabalhos.

"Isso tem o potencial de sobrecarregar os sistemas de saúde de muitos países, principalmente aqueles em desenvolvimento."

Incidência. Em todo o mundo, a incidência da diabete em homens com mais de 25 anos aumentou de 8,3% em 1980 para 9,8% em 2008.

Para as mulheres com mais de 25 anos, o aumento foi de 7,5% para 9,2%.

"Este deve ser um dos traços que definirão a saúde mundial nas próximas décadas", disse Majid Ezzati, epidemiologista e bioestatístico da Faculdade Imperial de Londres, que liderou o estudo.

"Temos o simples fato da magnitude do problema. Além disso, diferentemente da pressão alta e do colesterol, não há tratamentos eficazes contra a diabete." 

Tipos. Há dois tipos de diabete, um problema no metabolismo que faz com que o corpo seja incapaz de transportar o açúcar adequadamente até os tecidos por meio do sangue após uma refeição.

O tipo 1 é uma doença autoimune que surge na infância. O organismo destrói as células produtoras de insulina. O paciente deve receber injeções de insulina para sobreviver.

O tipo 2 corresponde a 90% dos casos e em geral é detectado depois dos 25 anos. Pode ser controlado por meio do uso da insulina, comprimidos e, em certos casos, perda de peso e prática de exercícios.

Fonte: www.estadao.com.br

sexta-feira, 29 de julho de 2011

DIA 01/08/2011 - INÍCIO DO SEMESTRE 2011.2

 Na próxima segunda-feira (01/08/2011) terão início as aulas do semestre 2011.2 da UPE. Nós professores estamos ansiosos pelo início de mais um período letivo. Contaremos agora com mais uma turma ingressa no curso de Nutrição, fazendo um total de cerca de 100 alunos matriculados.
 Nossa receita para bons resultados ao final do período resume-se a uma só: ESTUDAR! 

 Utilizando este verbo com constância e eficácia durante os próximo meses com certeza todos os alunos obterão êxito ao final do período.
 Muito estudo e perseverança a todos!

terça-feira, 19 de julho de 2011

DIABETES E ALIMENTAÇÃO


O diabetes mellitus (DM) é um problema metabólico causado pela ausência ou deficiência na produção de insulina, que é um hormônio produzido pelo pâncreas, responsável pela absorção da glicose no sangue para as células. O diagnóstico precoce, associado ao tratamento, estilo de vida e alimentação adequadas, são fundamentais para garantir a saúde e qualidade de vida de quem é diabético.

A restrição alimentar no caso da DM é de extrema importância para o tratamento. Deste modo, o consumo de açúcares e demais carboidratos simples deve ser controlado, fazendo com que uma grande área ganhe força na pesquisa e na indústria, o desenvolvimento de adoçantes e produtos dietéticos. Este fato pode ser observado através de pesquisa recente, a qual analisou o consumo de adoçantes e produtos dietéticos por pessoas com DM tipo 2. Na população estudada, tratada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o uso de adoçantes é frequente e o de produtos dietéticos é menor, com predomínio de refrigerantes. A pesquisa constatou que pequena porcentagem da amostra: sabia a diferença entre diet e light; tinha hábito de ler o rótulo dos produtos; se preocupava com a quantidade de adoçante utilizada. De acordo com o estudo, há necessidade de incluir informações sobre a utilização adequada destes produtos nas atividades assistenciais do SUS.

Outra pesquisa foi desenvolvida com o objetivo de identificar os hábitos e práticas alimentares de pacientes hipertensos e diabéticos, usuários da Estratégia da Saúde da Família (ESF) de uma cidade de Minas Gerais. De acordo com os resultados, pequena porcentagem da amostra apresentou fracionamento das refeições, elevado consumo de açúcar, sal, óleo e banha de porco. Um grande número de participantes não adicionava sal nas refeições já prontas, mas por outro lado utilizavam apenas óleo vegetal e adoçante artificial. Como parte da amostra não apresentava hábitos adequados quanto à nutrição, o estudo destaca a necessidade de desenvolvimento de estratégias de cuidado em saúde para incentivar mudanças nestes hábitos, prevenindo deste modo complicações relacionadas às doenças.

Os dados dos estudos evidenciam a necessidade constante de desenvolvimento de ações que estimulem o consumo alimentar adequado em pessoas com diabetes, destacando a dieta como parte fundamental do tratamento.



REFERÊNCIAS

Oliveira PB, Franco LJ. Consumo de adoçantes e produtos dietéticos por indivíduos com diabetes melito tipo 2, atendidos pelo Sistema Único de Saúde em Ribeirão Preto, SP. Arq Bras Endocrinol Metab; 54(5):455-462, 2010.

Cotta RMM, Reis RS, Batista KCS, Dias G, Alfenas RCG, et al. Hábitos e práticas alimentares de hipertensos e diabéticos: repensando o cuidado a partir da atenção primária. Rev Nutr; 22(6):823-835, 2009.

Por Prof. Paulo Adriano Swingel

ALIMENTAÇÃO E SONO


A alimentação é de extrema importância para o desenvolvimento e manutenção da saúde em todas as fases da vida, assim como alguns hábitos e estilo de vida que devem ser feitos de forma adequada. O sono é um exemplo de prática que deve ser respeitado, pois auxilia no crescimento adequado durante a infância, além de estar relacionado à prevenção de doenças crônicas.

Este fato pode ser observado através de estudo recente, o qual descreveu a associação entre padrões alimentares e demais variáveis, como gênero, educação dos pais, atividade física, sono e obesidade em crianças de 5 a 10 anos de idade. De acordo com os resultados, o hábito de assistir televisão e o sexo masculino foram considerados fatores preditores positivos para o consumo de uma alimentação rica em açúcar e gordura. Já o maior nível de escolaridade materna e maior duração do sono foram associados de forma positiva com um melhor padrão alimentar, o qual incluía frutas e legumes.

Outro estudo desenvolvido em crianças avaliou o déficit de atenção, hiperatividade e distúrbio comportamental comum em crianças e sua possível relação a queixas físicas e problemas relacionados ao sono. As crianças que participaram do estudo e apresentavam tais distúrbios foram divididas em dois grupos: um seguia dieta controlada, e o outro seguia alimentação normal (controle). De acordo com os resultados, as crianças que seguiam a dieta apresentaram uma diminuição de queixas físicas, e em relação à dificuldade em dormir.

De acordo com os dados dos estudos, a alimentação, quando realizada de forma adequada, pode influenciar de forma positiva sobre a qualidade do sono em crianças, o que contribui para o crescimento e desenvolvimento adequado, fato de extrema importância nesta fase da vida.



REFERÊNCIAS

Moreira P, Santos S, Padrao P, Cordeiro T, Bessa M,  et al. Food patterns according to sociodemographics, physical activity, sleeping and obesity in Portuguese children. Int J Environ Res Public Health; 7(3):1121-38, 2010.

Pelsser LM, Frankena K, Buitelaar JK, Rommelse NN. Effects of food on physical and sleep complaints in children with ADHD: a randomised controlled pilot study. Eur J Pediatr; 169(9):1129-38, 2010.


Por Prof. Paulo Adriano Schwingel